sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Nouvelle théologie (A Nova Teologia) – Parte 1

Nouvelle théologie (A Nova Teologia) – Parte 1

É de suma importância, dentro do contexto de crise atual da Igreja, entender a chamada Nouvelle théologie , pois esta passou a dominar grande parte dos ambientes eclesiásticos, já que foi tanto a teologia do Concilio Vaticano II quanto a dos Papas e da Cúria Romana que se seguiram a este concilio. Para confirmar o dito acima, citamos o livro: “A Nova teologia: os que pensam que venceram”:

Na revista 30 Jours de dezembro de 1991, Pe. Henrici S.J. confirmou oficialmente que:

1) a “nouvelle théologie”, condenada por Pio XII na Humani Generis, na mesma linha da encíclica de São Pio X contra o modernismo, “passou a ser a teologia oficial do Vaticano II”;

2) os postos chaves da Igreja ou já estão nas mãos dos expoentes da “nouvelle théologie” ou estão destinados a eles. O órgão de difusão é a revista Communio: “Quase todos os teólogos nomeados bispos nos últimos anos provêem da linha da Communio.” (HIRPINUS. A Nova Teologia: os que pensam que venceram. Rio de Janeiro: Permanência, 2001, p. 33-34. Disponível em: <http://www.permanencia.org.br/Livrodigital/novateologia.pdf > Acesso em: 07 maio 2010.)

Passemos, portanto, a entender um pouco sobre a Nova teologia sob a forma de um pequeno esquema.

Nova Teologia

  • Essência –> Evolucionismo dogmático
    • Tentou desenvolver uma compreensão do processo do conhecimento humano, com o propósito de fazer aceitável ao magistério da Igreja a idéia de que nem todo desvio da doutrina conceitualista da neoescolástica, nem toda relativização dos conceitos da fé sancionados implicava ipso facto em relativismo ou infidelidade a Palavra de Deus.
  • O movimento de transformação teológica teve
    • 2 caminhos principais:
      • 1. Ressourcement –> retorno às fontes bíblica e patrística.
      • 2. Correspondência com a realidade pastoral e o pensamento secular da própria época (experiência existencial contemporânea).
    • Caminho secundário:
      • Ecumenismo –> integrar ao pensamento católico o testemunho de toda a teologia cristã (reformada, anglicana e ortodoxa oriental)
  • Principais países de renovação teológica: França e Alemanha.
  • Crítica a escolástica:
    • Defendiam que a noção de história é alheia ao tomismo e, por isso, queriam restaurar na teologia o senso de desenvolvimento histórico.
    • Defendia que o tomismo daquela época separava teologia e vida e era necessário, portanto, religar o natural e o sobrenatural (o tomismo separava estas duas realidades em dois campos paralelos).
    • Eram contra a teologia manualista do tomismo contemporâneo.
  • O que é comum entre protestantes e Novos teólogos:
    • Ênfase na vocação do leigo.
    • Advogam o retorno à Biblia.
    • Rejeitam a Biblia e a Tradiçao como duas fontes separadas de autoridade.
    • Não fazem a separação entre o campo natural e sobrenatural como o fazem os escolásticos.
  • O que é comum entre o Modernismo e a Nova teologia:
    • Reação a teologia neo-tomista com seu entendimento conceitualista da doutrina cristã.
    • Sua apologética racional.
    • Sua visão do desenvolvimento doutrinal.
    • O mais importante: ambos queriam que a experiência subjetiva fosse levada mais a sério pela teologia do que a escolástica fazia.
  • O que é diferente entre o Modernismo e a Nova teologia:
    • A nova teologia aproximava natural e sobrenatural, principalmente em sua visão sacramental.
    • Ao invés de colocar a revelação na experiência mística, a Nova teologia via as declarações doutrinais como expressão sacramental (ou de maneira análoga) da verdade divina que infinitamente sobrepassa a linguagem humana. Os escolásticos defendiam que as verdades divinas podiam ser adequadamente acessadas pelos conceitos humanos.
    • Os modernistas não se interessavam pelo ressourcement diferentemente dos Novos teólogos.
  • Diferença entre a noção de Tradição antiga e nova:
    • Antiga –> espécie de “cofre” onde se guardavam as verdades da revelação.
    • Nova –> Representante vivo das palavras de Cristo no seio da Igreja. Esta noção foi recolocada dentro do contexto social e cultural como uma expressão da vida da Igreja dentro de sua época com referencia aos antepassados na fé.
  • Duas concepções distintas sobre a Revelação cristã:
    • Tradicional –> A revelação como uma comunicação de um sistema de idéias.
    • Nova —>A revelação como manifestação de uma Pessoa, da Verdade em Pessoa. A verdade católica, portanto, sempre transbordará a expressão conceitual.
  • Dois principais centros da Nova Teologia:
    • 1. Escola de Le Saulchoir (Dominicanos). Compreendia Chenu, Congar e Schillebeeckz, Mandonnet, Sertillanges, Gilson . Provocada pelo livro de Chenu (1937), Le Saulchoir: uma escola de teologia (continha a história e o programa desta escola). Foram submetidos a crítica pelos teólogos romanos dominicanos (como Gagnebet e Cordovani) e jesuítas ( como Boyer e Zapelena).
    • 2. Escola de Lyon-Fouvière (jesuítas). É quando se começa a falar da nouvelle théologie. Compreendia os teólogos Danielou, De Lubac, Bouillard, Fessard, Von Balthasar, Rahner e Schoonenberg. O livro de Jean Danielou (1946) “Os rumos atuais do pensamento religioso” serviu para identificar o grupo de teólogos da Nova teologia, defensores do retorno às fontes. Foram submetidos a críticas pelos dominicanos Labourdette e Garrigou-Lagrange.
  • Jesuítas –> predileção pelos Padres Gregos.
  • Dominicanos –> predileção por Santo Tomás (só que fazendo uma reinterpretação de sua filosofia).
  • Alguns principais inspiradores da Nova Teologia:
    • Johann Adam Mohler (1796–1838)
    • Maurice Blondel (1861–1949)
    • Ambroise Gardeil (1859-1939)
    • Joseph Marechal (1878–1944)
    • Pierre Rousselot (1878–1915)

(continua…)